quarta-feira, dezembro 05, 2007

Braga é já ali ao lado

Acho que não estava triste, mas se calhar era até estava mas dizia para mim mesmo que não. Não gosto de ficar triste e muito menos por razões a que não gosto de dar importância. Fiz zapping no rádio para apanhar uma nova estação de rádio que não se ouvisse (tanto) ruído e carreguei no acelerador para o carro conseguir fazer a subida.

Não.. não estava triste. Talvez apenas um pouco desiludido por ir sozinho a Braga ver as Au Revoir Simone. Já tinha dito que ia de qualquer maneira, mas tinha sempre a esperança que alguém me quisesse fazer companhia. Era tarde, longe e num dia de semana. Mas mesmo assim acho que valia o sacrifício. Um concerto ao vivo é algo mágico.

Chegado a Braga ligar a um amigo para ele me dar a minha última encomenda [Acho que o vou dar para os meus pais o montarem].


Ainda bem que cheguei cedo, pois assim deu bem para conversar, hora e meia encostado ao carro, a dar com a língua nos dentes. Contar umas novidades e ouvir outras. O tempo passa e o frio não perdoa. Chega a hora de ir procurar o Theatro. "Caminho? É fácil: viras ali à direita e sempre em frente. No fundo viras à esquerda e estacionas por lá." Seja.. muito difícil também não pode ser.
A cidade está calma, "talvez devesse ter trazido um mapa para o caso de me perder". Ainda há pessoas na rua, pergunto a um homem que trabalha num restaurante: "Está a ir bem, nos segundos semáforos e vira à esquerda e depois sempre em frente até ver o Theatro". "Se calhar melhor era mesmo um GPS." Acabo por andar demais e numa bomba dizem que é melhor deixar o carro e ir a pé senão dou uma volta que não mais acabo.

Seja.. o frio é psicológico! E a caminhar não se sente.

Comprar o bilhete.. últimas filas. Prefiro ver bem à frente. Para conseguir ver as caras e expressões dos artistas. Sentir a música como se saida dos instrumentos e não das colunas amplificadores. Ver para onde olham e como se mexem.

Mais uma volta pela cidade enquanto as portas abrem: Eu bem dizia que o frio era psicológico. A cidade esta calma, mas não deserta. Os chineses às 11 da noite repõem o stock na loja. Não interessa se no dia seguintes também são os primeiros a abrir. Um casal de namorados pára em frente a uma montra com figuras do menino jesus nas palhas deitado e ficam a comentar. Dois homens discutem provavelmente um jogo de futebol.
A cidade não dorme, apenas descansa e vê as pessoas a passar.

As portas do Theatro devem estar a abrir, dou a volta ao quarteirão e entro no café, escuro, preto com fumo. Dirigo-me ao balcão. Um pingo. Obrigo a rapariga a repetir o preço três vezes. Ela abre a boca mas não ouço nada. Sei que sou surdo mas não tanto.

Afinal não está assim tanto frio, até sabe bem sentir o friozinho.

Compro o álbum, não quero arriscar e no final do concerto já ter esgotado como aconteceu com Asobi Seksu. Ao tirar o dinheiro da carteira faço asneira, muita força e parto o andante. "Raios!! Será que ainda funciona?"

Espero os minutos até poder entrar para a sala, assistentes simpáticas e as casas de banho mais esquisitas que alguma vez vi. Uns cubículos ao fundo de um corredor! Sabia que o prédio tinha sido recuperado, mas arquitectos: não me digam que não dava para fazer umas casas de banho decentes??

Não costumo comentar os concertos. Palavras a mais para o que se passa antes e pouco para o que realmente interessa. As três meninas entram em palco a admiram a sala cheia. Annie (Acho.. já disse que estava longe!) Ainda troca uns cabos no teclado e confessa-se atrapalhada por ter andado de joelhos. Pormenores. Irrelevante. A música serviria para perdoar qualquer coisa. O pé começa a ficar irrequieto e a cabeça acompanha os ritmos que se sentem no ossos. "Queria estar mais perto. Como raio é que me voltei a esquecer da máquina fotográfica? Bem.. também a esta distância não apanhava nada." Faço para que a memória fique. Não na cabeça mas no coração e mesmo nos ossos.


A audiência está tímida, não é que os possa censurar. Eu também sou tímido. Mas os aplausos são bem audíveis. Experimentam um nova música, "Scary" na opinião de Annie. Concordo! Pelo menos mais soturno. Mas não é uma coisa má. Em Au Revoir Simone até canções tristes são boas de ouvir e deixam o coração bem reconfortado e até alegre.

O concerto é curto e à saida exprimo mesmo isso na sessão de autógrafos. Uma confusão de gente em frente à banca de merchandising estende os braços para obter uma fotografia com o trio ou apenas uma assinatura no CD ou poster acabado de comprar. Elas não têm mãos a medir, pelos vistos é bastante mais gente do que estavam à espera na primeira viagem a Portugal.


Saindo da multidão olho em volto. Pessoas esperam impacientemente para obterem os autógrafos. Não conheço ninguém apesar de achar algumas caras não serem estranhas. Está na hora de voltar.

Não estava triste. Apenas sabia que podia ser melhor se tivesse alguém ao meu lado.

----------------
Now playing: The Cinematic Orchestra [Man With A Movie Camera] [#07] - Evolution (Versao Portuense)
via FoxyTunes

4 Tremuras:

ana disse...

se fosse há uns meses atrás, eu fazia-te companhia :)

ana
meiadeleite.com

* Morena * disse...

Gosto de te ler nestas descrições.. :)

*

Maria Cardeal disse...

E eu que também queria ir e achei mau de mais ir só (nisso fui mais cobarde)e ainda por cima em Braga, onde me perco durante o dia, quanto mais à noite...

Anónimo disse...

ir só é bom.
:)

mariannegreen

Enviar um comentário